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Se conselho fosse bom – a revisão da 164

20/12/2008

Uma revisão no motor da 164

 

Sempre me borrei de medo dos V6 da Alfa…. Mantive-me na segurança dos quatro cilindros por muito tempo até ser rendido pela estupidez do 3.0 V6 12v. Estupidez voraz, assombrosa, violenta, que transforma um seda grande numa máquina furiosa.

Comprei minha 164 em novembro de 2006 em São Paulo. Oitenta e poucos mil km – Originais – coisa a se enaltecer hoje em dia, afinal. Carro muito bem recomendado por mecânico de excelente reputação. Todo original. Rodou 8000 km a cada ano com manutenção preventiva toda registrada em planilha Excel.

 Esses dias levei ao mecânico para trocar o óleo ele comentou, sem terrorismo, sem alarde, que estava batendo um tanto as válvulas em baixa e que o custo da regulagem era baixo se comparado ao risco de estragar os comandos com desgaste dos cames. Corri para o maravilhoso grupo Alfa Romeo BR, que em sua onisciência me confortou (ou me preocupou?) com a suprema verdade: sim, o comando gasta…

 Detesto que mexam nas Alfas. Não gosto de deixá-las na oficina, sendo futricadas e violadas em lugares nunca dantes penetrados.. e pior: futricada e violada por um outro!….. Mas já que está no inferno, abrace o diabo. Dois dias depois pedi para aproveitar e abrir a parte de baixo também.

  – Então fica mais fácil eu tirar o motor, Renato

O carro estava perfeito e lá estava eu querendo arrancar o motor fora, do nada? Loucura isso não?

 

 Até agora o que descobrimos:

 1- os retentores de válvula estavam bastante ressecados e quebradiços

2- os comandos de válvulas estão intactos

3- os sensores de detonação estão ressecados e quebradiços

4- há uma espécie de “gelatina” nas galerias de refrigeração entre as camisas, formando pontos de concentração de calor próximo às mesmas – além da limpeza do motor vamos proceder ao varetamento do radiador e revisão de todo o sistema. Foi uma surpresa encontrar essa quantidade de detritos devido à excelente aparência do fluido de refrigeração.

5- as velas já estavam no fim da sua vida útil (comprovada pela planilha do antigo proprietário)

6- A correia dentada, com menos de 30.000km, mas…. com mais de 2 anos de uso já está laceada (talvez tenha tido excesso de tensão) e aparência desanimadora

7- As juntas dos cabeçotes estavam em mal estado, carcomidas e corroídas, prontas para queimar em breve

8- As bronzinas estavam em fim de vida útil – era questão de tempo até uma rodar e comer o virabrequim

9- O virabrequim está intacto

O gasto agora, será apenas com peças de menor valor. Eu estou muito aliviado por ter feito essa loucura de abrir o motor assim… de graça. O motor foi muito bem cuidado, não fui ludibriado nem comprei gato por lebre, mas se levarmos em consideração que o carro tem 11 anos de uso (mesmo que relativo pouco uso) e quase 100.000km, não dá para esperar que tudo esteja como novo.

 

Se conselho fosse bom, a gente vendia ne? Mas se seu V6 está numa situação semelhante, pense com carinho em uma despesa que não é baixa, mas que pode garantir mais 100.000km com muita confiança.

 

 

Acha assustador? Lembre-se:

– Ok, voce pagou 15.000 nela, mas você anda num carro que valia US$50.000, a manutenção não deprecia junto com o carro.

– Velho e sábio ditado: o barato sai caro

– Estamos falando de um sedã de luxo italiano, de uma marca renomada

– Se não fosse o Alfa Romeo Br, caras como eu (e quem sabe você) jamais teriam coragem para ter um carrão desses

– Não só este grupo dirime qualquer duvida, como nos dá dicas e conhecimento para manter um carro surpreendentemente acessível para sua categoria e ainda com o menor custo possível.

– Menor custo possível não é custo de carro mil.

 

Em resumo: O Alfa Romeo BR é DEMAIS!!!!!!!

 

 

Primeira Crônica do Alfista fresco – Viajem ao RJ

20/12/2008

 

Este texto eu escrevi em 2002, após o feriado de páscoa, tempo que eu mal acreditava que tinha uma Alfa Romeo 155 na garagem……

Estou escrevendo pra contar um pouco da estréia da minha Alfa 155 na
estrada (já tinha baixado para o litoral paulista mas não conta pela
lerdeza do trajeto e a quantidade de pardais que faz a gente perder o
tesão)
Nesse feriado fiz o trajeto sp-rio-sp pela Dutra e pude realmente sentir a bicha andando nuns 1000 km. Saí sexta 23:00, fui tranquilo, com medo dos radares, mas passava um mais empolgado e eu grudava… mas foi tranqüilo, andando calmo cheguei em Copacabana 3:30 de sábado o odômetro tinha inaugurado os 40.000 km.
Depois, quando abasteci, verifiquei a média de 11km/l, andando 400 km
de estrada e 150 de cidade.
  

Agora, a volta foi mais legal, a Dutra tem pouco radar pelo que pode
notar (espero estar certo, hehehehe), o transito anda bem rápido, eu
voltando mantendo uma media de 140, até que aparece uma 156 preta que vinha abrindo estrada. Resolvi acompanhá-la e grudei junto… o cara
gostou e começou a pisar mais, devia ser legal ver de fora as duas Alfas grudadas voando na pista da esquerda. Serra das araras à frente, (se não me falha a memória é esse o nome).. uns 4 a 6 km de suuuuubida!! Entramos rasgando, a Alfa preta na frente, eu grudado…
a subida não é brincadeira!! O carro sentiu a puxada, ficou tudo mais
lento, os carros e caminhões pareciam parados e a gente passando com
os pneus gritando, mas parecia tudo câmara lenta… daí lembrei do ar
ligado… OFF… putz!!! A alfa como que acordou!! limpou e ficou lindo de sentir, 140 naquela subida íngreme, 4a. engatada…..  ficou muito mais fácil de buscar a preta, heheh… fim da subida. Continuamos brincando rápido…. eu ficava pra trás no transito, e buscava a preta lindaço… Quem conhece a Dutra sabe o trecho que estou falando, cheio de curva, um tesão!!! andamos assim uma meia hora mais, daí as curvas foram acabando e o transito ficando mais pesado, cheguei pra direita, abri o vidro e acendi um cigarro (o primeiro e um dos únicos acesos dentro dela) depois desta sessão de prazer… hehehe…..

Conclusões…. Bom, pra quem só tinha brincado de golzinho, foi muito
legal, chegar tão fácil a 200 com o MEU carro é diferente, hehe… As
críticas: a alfa merece uns pneus maiores que os arinho 14, apesar da
ótima estabilidade do carro, os pneus ficam aquém ao carro… e a
direção de madeira, que eu acho uma belezura, pra andar forte é uma
merda, pois quando a mão começa a suar fica complicado, muito lisa…
No mais, fiquei muito feliz, os ponteirinhos de temperatura da água e
do óleo e de pressão do óleo nem moveram, na serra, nas curvas,
nada… lindeza! E o ronco do motor é muito, mas muito lindo….
Isso aí! Um abraço a todos

Renato Cunha