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As 155 V6 Brasileiras

08/09/2009

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Não há como negar que o motor V6 Alfa Romeo fabricado entre 1979 e 2005 é um ícone Alfista da era moderna: agressivo, com uma sonoridade própria e muito potente, equipou todos os modelos topo de linha do fabricante, desde a Alfa 6 até a Alfa 166.

No Brasil desembarcou na versão 3.0 12v em 1990, sendo a única opção de motorização para a luxuosa 164. Depois, em 1995, veio a opção 24V. Em 1996, a Spider com o 3.0 12v.

V6 com cambio manual, só 164 e Spider, até 1996. A 166 chegou em 1999, com um 3.0 24v um pouco modificado e somente cambio automático, e em 2003, a 156 apresentava uma roupagem mais luxuosa com o 2.5 24V e também um cambio automático com opção de uso manual automatizado.

Exceto pela Spider, que desembarcou com tudo o que tinha direito inclusive o V6, (configuração rara na Europa), os brasileiros só viram este motor nos modelos direcionados mais ao luxo do que à esportividade. As máquinas digamos, mais viscerais com o mítico motor ficaram só nas fotos estrangeiras

Dito assim fica fácil entender porque causa tanto furor em nosso país os modelos menores com cambio manual e motor V6. Eles aliam a dirigibilidade dos carros menores com a estupidez do V6 Alfa Romeo.

Além das 156 V6 manuais 1999 (veja “As oito 156 da diretoria”), acreditava-se que, da mesma maneira, a Fiat teria trazido algumas 155 V6 para o Brasil. Não trouxe. Até o momento só temos notícia de somente 03 Alfa Romeo 155 V6 em terra brasilis.

As 155 foram equipadas com uma versão 2.5 V6 12v que debitava 166cv´s (contra 150 cv das 2.0 TS). Algumas histórias das 155, na ordem que as conheci:

 

155 V6 1994:

Foi a primeira 155 V6 que consegui ver e dirigir. Apareceu à venda no Jornal Zero Hora, de Porto Alegre em 2005. Pediam caro, lembro na época, algo mais de R$21.000 mais dividas.

Encontrei o vendedor num posto da zona norte da cidade. Um senhor mal arrumado que me apresentou um carro na mesma situação. Uma 155 azul sem emblemas que denunciassem sua motorização, com bancos de couro rasgados e gastos, motor vazando água, rodas trocadas, pneus carecas.

Dirigir uma 155 V6 era um sonho. Dirigir essa foi um pesadelo. Um carro tão raro em tão mal estado. Dinamicamente era impossível de analisar, o motor falhava, a suspensão parecia à ponto de desmontar, cambio, freios, direção, tudo era frouxo. Fotografei, divulguei, lamentei, e me aborreci pois vi que aquele carro não iria muito longe tratado como mero meio de transporte mal cuidado e perigoso.

Em 2007, a derradeira foto enviada de São Paulo selou o destino: a 155 encontrava-se em leilão, aparentemente do mesmo jeito (ou pior) do que quando à vi. E em 2009, aparece de novo à venda no Mercado Livre (www.mercadolivre.com.br), com novas rodas (tão feias quanto às antigas) para satisfação dos alfistas (ao menos ela não tinha “morrido”.

Foi arrematada por um entusiasta do Alfa Romeo BR, que iniciou uma criteriosa restauração do carro, que, ao ser desmontado, mostrou-se mais íntegro até do que se poderia esperar.

Em breve mais notícias desta 155 registrada no Alfa Romeo BR: http://www.alfaromeobr.com.br/showmember.php?id=463&numero=52

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155 V6 1992:

Haviam os rumores que um colecionador paulista possuía uma 155 V6, vista na oficina Alfamar. Este alfista era muito reservado e não falava quantos e quais carros tinha, mas sabíamos, sua coleção reunia raridades.

Era tão inacreditável que falavam que a V6 até deveria ser adaptada, e havia rumores que ele possuía não uma, mas duas 155 V6. Em 2006 este colecionador decidiu vender seus carros, apareciam raridades como 164 com 18.000km, uma raríssima 164 S, Spider´s de todos os modelos, 2300 de várias cores. Em 2007 tomo coragem e entro em contato. Recebo a seguinte mensagem “Ainda tenho a 155 V6, posso vendê-la para você. Me liga para conversarmos.”

Em poucos dias estava em São Paulo, numa garagem da Alameda Santos. Seu irmão nos recebeu. Eu não agüentava a ansiedade, descemos e lá estava ela, no fundo da garagem. Eu nem andava, flutuava para perto dela, meu sonho, que se tornaria real depois de tanto tempo. Esse modelo, ano 1992 e cor cinza, tinha a grade diferente, (modelo antigo trocado em 1993), bancos com aquecimento e padrão quadriculado exclusivo, e suspensão regulável eletricamente.

Pela primeira vez andei numa 155 V6 em boas condições. Apesar da suspensão seca, talvez problemas na “moderna” suspensão de 1992 (depois abandonada pelos modelos mais novos), dava gosto de sentir a força do V6 e o ronco encorpado da máquina. Tinha muita coisa pra fazer, acabamentos como faroletes, tecidos de porta, pintura gasta, borrachas… Mas eu havia perdido minha 155 em um acidente e teria todas as pelas necessárias para deixá-la perfeita

E depois de todo o processo de dirigir, levantar, analisar prós e contras, a venda feita e acordada verbalmente, o sonho realizado, na hora de ir embora, um transito pesado na Rua Augusta permitiu que o motor atingisse sua temperatura de trabalho e aí começou a soltar fumaça. Muita fumaça de óleo. O motor estava com problemas. E eu não tinha na época condições de comprar o carro e ainda importar peças para deixá-lo em perfeitas condições. Desisti com tristeza e arrependimento.

Fiquei sabendo que este carro foi depois entregue à uma pessoa de confiança deste colecionador, juntamente com outras Alfas, que foram vendidas ao longo do tempo. Não se sabe o paradeiro deste carro hoje.

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155 V6 1995

Ainda em 2007 surge a derradeira 155 V6, a mais nova delas, uma azul ano 1995, já com pára-lamas widebody como as importadas oficialmente. Aparecia em fotos e site de oficina paulistana que se especulava teria adaptado a mecânica. Mas depois conseguimos confirmar que era a segunda 155 V6 do colecionador paulistano, que havia vendido antes. Apareceu à venda também no Mercado Livre, e imediatamente pedi para um amigo ver. É um modelo Elegance, com couro, painel de madeira, air bag. As únicas diferenças entre as 2.0 que foram vendidas oficialmente é a alavanca do cambio (de cinco marchas) com pomo diferente e o painel de instrumentos. Por fora, rodas e aerofólio da Super, e cuore pintado na cor do carro (característica das 155 V6).

Meu amigo viu, analisou o carro e me mandou fotos com a mensagem “a 155 mais nojenta que já vi”. Dei desconto pela analise (ele é muito, mas muito chato quando se trata de Alfas) mas não adiantava. Tentei me convencer que seria mais facilmente restarável que a 1992, pelo fato de ser igual às 2.0 95/96, mas decididamente eu estava (e continuo) perdidamente apaixonado pela V6 1992.

Ela ficou um tempo à venda e finalmente hoje esta 155 está no grupo Alfa Romeo BR também. Dizem, à venda.

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Se você souber de outra Alfa V6 especial no Brasil por favor conte-nos!!

 Abraços

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Alfa Romeo 164 – superlativa paixão

19/05/2009

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Como o tempo passa!

Há poucos anos comprávamos uma 4Rodas festejando o retorno dos carros importados com uma 164 1991/92 vermelha na capa. Em 94 e 95 elas realmente estavam no auge, vieram ao todo 6277 delas.

Mas, como bem falou o amigo Mauro Mendonça, “uma 164 1995 está virando debutante…ano que vem vamos ter bailes para as 164… “. O legal é ver que muitas vão permanecer vivas e originais pelo empenho de entusiastas apaixonados. Cuidaremos das nossas 164, como poucos fizeram com as 2300. E teremos um futuro com carros confiáveis e representando o que elas realmente são. O futuro onde não será impossível se ter um carro antigo, importado, e viável para viagens e encontros.

Como todo carro de idade, elas sempre terão alguma coisa para fazer, rodando ou paradas. A minha, uma 12v 1995 que acabou de comemorar seus 100.000km e ilustra essa crônica, está com bomba da DH chorando, painel digital com relóginho falhando, e volante esperando couro novo. Depois que eu arrumar tudo isso, alguma outra coisinha vai lhe avisar que o carro que estreou no início da tecnologia da eletrônica embarcada (quanto mais coisa para mexer, mais coisa para mexer né não?). Falando nisso, jamais vi carro que reclama mais de ficar parada que uma 164. Deixe a sua 30 dias na garagem e ela vai sair cheia de enjôos e barulhos esquisitos só para deixar você nervoso. Passa logo, mas decididamente ela não é o carrinho obediente que você gostaria…..

O Roberto Nasser incluiu a 164 com muita propriedade na sua lista de futuros clássicos no Brasil. Foi uma mudança de paradigmas e uma renovação do fabricante (num momento particularmente crítico). No Brasi, um marco da abertura das importações, apesar dos tropeços da mãe Fiat.

Mas a aura da 164 permanece: um carro superlativo nos seus extremos. Desliza silenciosamente, “tipo barca”, com a melhor tecnologia do fim da década de 80, um assombro na época, e que ainda impressiona: ar digital num painel extravagantemente cheio de botões, air bag (será que funciona depois de 15 anos?), bancos elétricos, um couro que parece indestrutível, persianas no vidro traseiro, radio toca-fitas escondido sob uma tampa, cambio manual com peso de carro de verdade…… e o cheiro… cheiro de 164.

O legal de ter um carro tão top de linha na sua época, você consegue sentir e possuir, sem muito gasto, um produto feito para os poderosos, um carro que só encontra similares em altos patamares. Isso nenhuma outra Alfa da sua época alcançou. Andar num carro desses, mesmo 15 anos depois, é sentir seu ego massageado por possuir um produto feito para um público seleto e exigente em todo o mundo. Alfa Romeo nunca foi um carro vulgar. E a 164 era o máximo.

Se comparado aos carros 15 anos mais novos, falta uma trava automática das portas, e porta-trecos convenientes para carteira, chaves e celular. O resto, ela é bem atual.

Mas essa viatura vestida elegantemente de Pinninfarina tem seu outro lado, que muitos já ouviram falar, mas que nem tantos sentiram: seu lado besta-fera, seu lado animal, que surge quando é provocada.

Fomos felizardos, recebemos aqui no Brasil somente a topo de linha, destinada aos executivos e bem nascidos, com o motor Alfa Romeo V6, capítulo à parte, endeusado (se isso é possível para um motor) pelo seu comportamento e sonoridade (que varia de um ronco metálico em baixa à um urro em alta (excelente definição do Bellote) e que em 2005 saiu de linha sem deixar um substituto à altura. Obra-prima da casa de Arese

Esse motor de comportamento explosivo não tem na 164 os amortecimentos sonoros e sensoriais que ganhou nas Alfas mais novas (dirija uma 166 e você notará diferença inacreditável). Quando você acelera uma 164, não interessa se 12v ou 24v, pouca coisa consegue acompanhar. Você deixará o transito para trás de uma maneira violenta. Poucos sedãs atuais são capazes de tamanha agressividade, e muitos esportivos ficam intimidados diante da estupidez italiana. Ela passa uma sinfonia de sons culminados por um chiado rasgado do motor em alta rotação. No Brasil, para ter esse motor assim, cru, ou compre uma 164 ou pague 5 vezes mais por uma Spider.

É para isso que ela foi feita: para ser superlativa. Ronronando como carro de luxo ou berrando seu motor esportivo, uma 164 é algo que fascina, apaixona, assusta e recompensa. Você sempre ficará na dúvida de dominou ela, ou se é ela que dominou você….

Eu ainda não descobri, mas esta máquina temperamental me pegou de jeito…… Que carro!

Quer uma? Leia o guia de compras:                                                                       http://www.alfaromeobr.com.br/guiadecompra.php

E escolha entre a 12 e a 24v:                                                        http://www.alfaromeobr.com.br/diferencas16412V24VSuper.php

Como presente para os amigos, os vídeos magníficos (e incrivelmente antigos) do making of e pré-produção das 164.

Abraços,
Renato Cunha

A viagem mais cara da minha vida

02/02/2009

ou como finalmente me rendi ao V6 (escrita em 10 de novembro de 2007)

 

Outubro de 2006, estávamos eu e Marcus Myrrha na inesquecível Road trip, etapa SC

(http://www.alfaromeobr.com.br/1RoadTrip.php).

 

 Quando saímos de Curitiba em direção ao sul, um alfista doido chamado Giovane, grande vibrador da marca Alfa Romeo e amigo querido nos recepciona em sua cidade, Joinville.

 

 Depois de um maravilhoso almoço italiano no Circolo Italiano partimos em um comboio para Florianópolis.  Tiu Marcus abandonado na 145 pois eu ia era de azeitona atômica (uma das 8 156 V6 2.5 24v manual que existem no Brasil) com o Giovane-pé-de-moça (um tipo rapaz calmo de rodar a 200km/h). Em pouco tempo deixamos todo o comboio para trás.

 

 Aí veio a primeira fase do seu plano maligrino: O Giovane pára o carro e fala:

“Dirige um pouquinho Renato!”…..

 o-ohuuu!

 Ainda tentei fazer o famoso doce: ”nãããum… ta loko…que que é issu!?!!?!?”

 

 Mas quando ele foi insistir eu já estava abrindo a porta do motorista pra ele sair.

 

 Aí eu me estrepei, me ralei, me danei…. Essa coisa anda… e anda muito!!!

Por duas vezes coloquei a 6a. marcha somente pra constar, para colocar na memória: “eu já meti uma 6a!”…..  hueauheauheahu

Era chegar em uma traseira, reduzir de 5a. pra 4a., acelerar “rrruuuUAAAUUUMMMM!!!!!!” e os carrinhos saiam da frente rapidão… e a 156 sumia de novo

 

 Do resto, não lembro muito… apenas flashes, acho que fui drogado, sei lá….

 ”caraco pqppppp como anda essaporra!” / “puta que pariu que que é a aceleraçaum dessa merda!” / “noooooossa…. quanto custa uma coisa dessas mesmo?” / “deuzulivre caceta” / “hueahueauheauheahueauaehaeeauha” / “huhuuhuhuhuhuhuh” / “olha isso!”

 

 Então, Giovane achou que era a hora de dar o bote final, fatal, entrou em andamento a segunda fase da armadilha. Quem o conhece reconhecerá sua fala mansa com sotaque,:

 

 ”Pois tu sabes Renato, que ela anda igual a uma 164 né!”

– “QUE?” “SERIO? TALOKO?”

“To te falando rapaz, ela tem a mesma puxada da 12 e a mesma tocada da 24 na estrada”

-”HÃIN GHRUMB?”

“Ela é um pouco mais levinha, mas a 164 é tão forte quando ela”

-”KUMGF???”

 

 Desci do carro procurando Tiu Marcus, que havia falado de uma tal 164 zeradissima em perfeitissimo estado a venda na sua região de Cotia/Alfa-Ville

 

-”Tiu, sabe quela 164 que ce falou? Enton, volta pra Sampa e compra pra mim?”

– sério Bichim?

-”Arrham… sério! Se ta boa mesmo como ce falou, compra plis”

 

E assim foi. Tiu Marcus arrematou uma 164 muito linda. É uma 12v Grigio Lothar sem teto, com air bag, cambio manual, todos documentos, NF, chaves, TF original. Histórico todo registrado: dois donos: uma milionária dos Jardins (bairro nobre de São Paulo) e um engenheiro detalhista que usava o carro 2 a 3x por semana somente na Castelo Branco e no Rodoanel e me enviou uma planilha com toda a manutenção dela desde os 20.000km (está atualmente com 80.000km).

 

 Fiquei doido! Doidim! Voei pra Sampa só pra ter o prazer de vir rodando até Porto Alegre, mesmo que custe bem mais caro que colocar numa cegonha.

 

 Ah!!! em homenagem ao sacaneador que me deu este preju, ela já tem nome: GIOVANA!!!!!!  Abração galera!