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Cão Mito, gato Punto

13/09/2009

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Quando meu chefe autorizou a escolha do meu novo transporte corporativo, pensei em pedir uma Alfa Romeo 159, mas estava fora do budget. Fiz as contas e decidi pedir o novo Mito então!

Quando acordei e voltei à vida cucaracha, com as Alfas no pensamento, lembrei do velho ditado, “quem não tem cão caça com gato” . E acabei optando por um Punto, o carro mais próximo dele atualmente no nosso mercado.

Então chegou semana passada meu bichinho. A configuração seguiu a seguinte prioridade:

• 1º. Motor mínimo (1.4 nifodendo, então que seja 1.8),
• 2º. Segurança (ABS e Air Bag)
Aí acabou o $$ e o que sobrou serviu para:
• 3º. Radio-MP3 com comando no volante de couro
• 4º. Rodas de Liga (pra não ficar com cara de pobrinho)

Sem mais um centavo, a cor: branca, pois aqui no RS branco não é taxi, e é lindo. Paulistas, morram de inveja, vocês acabam tendo que ficar com o calorento preto, ou o esportivo vermelho, que em minha opinião é esportividade demais pro HLX……

O Acabamento já é o conhecido Fiat. Pelo preço, merecia um acabamento mais “Linea”. E pra quem vem de um VW Polo, o choque é grande: abertura do porta malas por aquela infame alavanquinha (que aplicaram até na 156), forro do teto igual à de um Mille, alguns parafusos aparentes. Ok, eu sei que o Polo que é exceção, não o Punto.

Se o acabamento é Fiat, o espaço interno não é: Aquele ditado “pequeno por fora, grande por dentro” não se aplica ao Punto, grande por fora e…. apertadinho por dentro. A ergonomia, é pior que a do alemão. Ao menos pra mim que tenho germânicos 1,94m.

Já o ponto menos Fiat, é o motor originário da Powertrain, aquela empresa do acordo dos italianos com a Capitão Motors. Parece que o motor está revoltado por não ter sido colocado num insosso Corsa. Acorda cheio de barulhos, e no álcool, nem quando esquenta para de ser inacreditavelmente áspero. Á 4.000RPM, você acha que ele vai explodir. À 5000RPM você terá certeza. Provavelmente eu nunca vou ter coragem de chegar à faixa vermelha. Ao menos tem um belo torque em baixa e puxa o carro com gosto. 

Poxa, mas estou falando só mal do premium da Fiat? Bom, claro que não, estou ainda extasiado pelo cheiro de carro novo e a parte boa deixei pro fim.

Primeiro, dá um prazer danado olhar ele na garagem, olhar ele no estacionamento do shopping, olhar ele de qualquer ângulo. O branco destaca suas linhas, e a dianteira é lindíssima. Que carro bonito!!!!

PS: Pena que a Fiat na Itália tenha deformado a Mini-Maserati transformando-o num Mega-500, que lástima:

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Os bancos com um belo veludo preto dão uma impressão e sensação de requinte. O motorista conta até com um apóia-braço central. O painel, com o console central “black piano” da moda e os anéis dos instrumentos cromados ajuda na sensação de nível superior. E não tem nada no mercado brasileiro nessa faixa de preço tão bonito.

E o melhor: que maravilha de dirigibilidade. A Direção é pesada, deliciosa, e com uma pega inigualável. A suspensão, firme mas totalmente adequada ao off Road de nossas vias. Nada à ver com aquela suspensão gelatinosa do Palio. A estabilidade, depois de viajar 1000 km abaixo de chuva em estradas ruins e de pista simples, só posso classificar como perfeita. Entra com confiança nas curvas e no limite escorrega a dianteira pra você levantar o pé e voltar aos trilhos.

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Enfim, no que esse carro pode dar uma prévia do Mito? Descobri que pouca coisa. Mas se esse Punto HLX é legal, fico imaginando o que deve ser o Punto T-jet (fora do Budget), e aí imagino como deve ser magnífico o Mito com seu DNA.

Só pra revoltar de deixar você tão irritado e revoltado quanto eu: Este Punto HLX 1.8 custa, preço de tabela (com isenção de IPI), R$50.656. Esse preço porque ele é simplificado pois o brasileiro não tem o poder de compra de um europeu.

Enquanto isso, um Alfa Romeo Mito, na Itália, com o motor 1.4 TB 155cv e os mesmos opcionais fica em R$51.866 ao cambio de hoje. É mole?

Abraços

Brasileirinha no meio das primas italianas

10/09/2009

008_1024x1024_500KB_O Suíço Axel Marx encontrou esta 2300 RIO (uma das Alfas made in Brazil exportadas para a Alemanha no fim da década de 80) com pouco mais de 1.000km, sem nunca ter sido licenciada. Foi restaurada totalmente e incorporou à sua coleção de magníficas Alfas.

Olha só onde a metida está estacionada!! Do lado da mais nova e badalada prima: uma 8C Competizione. Fala sério!!!!

O mais engraçado é que, se pra gente é uma supresa uma familiar 2300 enfileirada com uma intergaláctica 8C e uma rara Montreal branca (!), lá é a 2300 que deve fazer alto sucesso e surpreender a todos, pois foi um modelo exclusivamente Brasileiro e as exportações foram um fracasso, portanto no mundo civilizado poucos sabem desta verdadeira Alfa Romeo fabricada numa república de bananas.

Motivo de orgulho do Alfa Romeo BR, sua placa de registro levando nosso grupo para fora do Brasil. O link dela no site: http://www.alfaromeobr.com.br/showmember.php?id=364&numero=73

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As 155 V6 Brasileiras

08/09/2009

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Não há como negar que o motor V6 Alfa Romeo fabricado entre 1979 e 2005 é um ícone Alfista da era moderna: agressivo, com uma sonoridade própria e muito potente, equipou todos os modelos topo de linha do fabricante, desde a Alfa 6 até a Alfa 166.

No Brasil desembarcou na versão 3.0 12v em 1990, sendo a única opção de motorização para a luxuosa 164. Depois, em 1995, veio a opção 24V. Em 1996, a Spider com o 3.0 12v.

V6 com cambio manual, só 164 e Spider, até 1996. A 166 chegou em 1999, com um 3.0 24v um pouco modificado e somente cambio automático, e em 2003, a 156 apresentava uma roupagem mais luxuosa com o 2.5 24V e também um cambio automático com opção de uso manual automatizado.

Exceto pela Spider, que desembarcou com tudo o que tinha direito inclusive o V6, (configuração rara na Europa), os brasileiros só viram este motor nos modelos direcionados mais ao luxo do que à esportividade. As máquinas digamos, mais viscerais com o mítico motor ficaram só nas fotos estrangeiras

Dito assim fica fácil entender porque causa tanto furor em nosso país os modelos menores com cambio manual e motor V6. Eles aliam a dirigibilidade dos carros menores com a estupidez do V6 Alfa Romeo.

Além das 156 V6 manuais 1999 (veja “As oito 156 da diretoria”), acreditava-se que, da mesma maneira, a Fiat teria trazido algumas 155 V6 para o Brasil. Não trouxe. Até o momento só temos notícia de somente 03 Alfa Romeo 155 V6 em terra brasilis.

As 155 foram equipadas com uma versão 2.5 V6 12v que debitava 166cv´s (contra 150 cv das 2.0 TS). Algumas histórias das 155, na ordem que as conheci:

 

155 V6 1994:

Foi a primeira 155 V6 que consegui ver e dirigir. Apareceu à venda no Jornal Zero Hora, de Porto Alegre em 2005. Pediam caro, lembro na época, algo mais de R$21.000 mais dividas.

Encontrei o vendedor num posto da zona norte da cidade. Um senhor mal arrumado que me apresentou um carro na mesma situação. Uma 155 azul sem emblemas que denunciassem sua motorização, com bancos de couro rasgados e gastos, motor vazando água, rodas trocadas, pneus carecas.

Dirigir uma 155 V6 era um sonho. Dirigir essa foi um pesadelo. Um carro tão raro em tão mal estado. Dinamicamente era impossível de analisar, o motor falhava, a suspensão parecia à ponto de desmontar, cambio, freios, direção, tudo era frouxo. Fotografei, divulguei, lamentei, e me aborreci pois vi que aquele carro não iria muito longe tratado como mero meio de transporte mal cuidado e perigoso.

Em 2007, a derradeira foto enviada de São Paulo selou o destino: a 155 encontrava-se em leilão, aparentemente do mesmo jeito (ou pior) do que quando à vi. E em 2009, aparece de novo à venda no Mercado Livre (www.mercadolivre.com.br), com novas rodas (tão feias quanto às antigas) para satisfação dos alfistas (ao menos ela não tinha “morrido”.

Foi arrematada por um entusiasta do Alfa Romeo BR, que iniciou uma criteriosa restauração do carro, que, ao ser desmontado, mostrou-se mais íntegro até do que se poderia esperar.

Em breve mais notícias desta 155 registrada no Alfa Romeo BR: http://www.alfaromeobr.com.br/showmember.php?id=463&numero=52

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155 V6 1992:

Haviam os rumores que um colecionador paulista possuía uma 155 V6, vista na oficina Alfamar. Este alfista era muito reservado e não falava quantos e quais carros tinha, mas sabíamos, sua coleção reunia raridades.

Era tão inacreditável que falavam que a V6 até deveria ser adaptada, e havia rumores que ele possuía não uma, mas duas 155 V6. Em 2006 este colecionador decidiu vender seus carros, apareciam raridades como 164 com 18.000km, uma raríssima 164 S, Spider´s de todos os modelos, 2300 de várias cores. Em 2007 tomo coragem e entro em contato. Recebo a seguinte mensagem “Ainda tenho a 155 V6, posso vendê-la para você. Me liga para conversarmos.”

Em poucos dias estava em São Paulo, numa garagem da Alameda Santos. Seu irmão nos recebeu. Eu não agüentava a ansiedade, descemos e lá estava ela, no fundo da garagem. Eu nem andava, flutuava para perto dela, meu sonho, que se tornaria real depois de tanto tempo. Esse modelo, ano 1992 e cor cinza, tinha a grade diferente, (modelo antigo trocado em 1993), bancos com aquecimento e padrão quadriculado exclusivo, e suspensão regulável eletricamente.

Pela primeira vez andei numa 155 V6 em boas condições. Apesar da suspensão seca, talvez problemas na “moderna” suspensão de 1992 (depois abandonada pelos modelos mais novos), dava gosto de sentir a força do V6 e o ronco encorpado da máquina. Tinha muita coisa pra fazer, acabamentos como faroletes, tecidos de porta, pintura gasta, borrachas… Mas eu havia perdido minha 155 em um acidente e teria todas as pelas necessárias para deixá-la perfeita

E depois de todo o processo de dirigir, levantar, analisar prós e contras, a venda feita e acordada verbalmente, o sonho realizado, na hora de ir embora, um transito pesado na Rua Augusta permitiu que o motor atingisse sua temperatura de trabalho e aí começou a soltar fumaça. Muita fumaça de óleo. O motor estava com problemas. E eu não tinha na época condições de comprar o carro e ainda importar peças para deixá-lo em perfeitas condições. Desisti com tristeza e arrependimento.

Fiquei sabendo que este carro foi depois entregue à uma pessoa de confiança deste colecionador, juntamente com outras Alfas, que foram vendidas ao longo do tempo. Não se sabe o paradeiro deste carro hoje.

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155 V6 1995

Ainda em 2007 surge a derradeira 155 V6, a mais nova delas, uma azul ano 1995, já com pára-lamas widebody como as importadas oficialmente. Aparecia em fotos e site de oficina paulistana que se especulava teria adaptado a mecânica. Mas depois conseguimos confirmar que era a segunda 155 V6 do colecionador paulistano, que havia vendido antes. Apareceu à venda também no Mercado Livre, e imediatamente pedi para um amigo ver. É um modelo Elegance, com couro, painel de madeira, air bag. As únicas diferenças entre as 2.0 que foram vendidas oficialmente é a alavanca do cambio (de cinco marchas) com pomo diferente e o painel de instrumentos. Por fora, rodas e aerofólio da Super, e cuore pintado na cor do carro (característica das 155 V6).

Meu amigo viu, analisou o carro e me mandou fotos com a mensagem “a 155 mais nojenta que já vi”. Dei desconto pela analise (ele é muito, mas muito chato quando se trata de Alfas) mas não adiantava. Tentei me convencer que seria mais facilmente restarável que a 1992, pelo fato de ser igual às 2.0 95/96, mas decididamente eu estava (e continuo) perdidamente apaixonado pela V6 1992.

Ela ficou um tempo à venda e finalmente hoje esta 155 está no grupo Alfa Romeo BR também. Dizem, à venda.

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155 V6 1995 04

 

Se você souber de outra Alfa V6 especial no Brasil por favor conte-nos!!

 Abraços