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Alfas são mágicas

26/02/2010

Meu amigo De Boni é um jovem da serra gaúcha que sentiu o gosto das Alfas mas não resistiu ao embrutecimento da alma pelos muscles americanos.

Depois de muito babar em polegadas cúbicas, dia desses não resistiu e saiu do armário demonstrando uma sensibilidade ímpar. E por esse ato de coragem, publico aqui o belíssimo testemunho de quem ousou se rebelar à cultura gringo-da-serra, que determina origem italiana mas gosto por americanos e alemães:

 

Cara!

 É por essas e por outras que me dá saudades das Alfas…

Um carro que chama a atenção sem precisar ser chamativo…

Uma “hipnose” instantânea é gerada em algumas pessoas quando vêem ou passam por uma….

 Sendo mais que sincero….nenhum “muscle” ou “Bavarian Money Waster” chega aos pés de uma obra de arte italiana, pelo simples fato que elas se assemelham com o temperamento humano. Conforme o dia, a hora, o lugar, parece que agem por conta própria. São carros desenhados para o prazer de dirigir, para o regojizo de sentir cada estalo, cada sussurro, cada mínima parte funcionando, com a amante que tanto se deseja e fica-se horas contemplando depois do prazer…

Alfas são mágicas, carros que foram feitos com paixão por pessoas que sentem paixão no que fazem. Não são ícones de potência bruta, estupidez em 1/4 de milha, ou considerados carros inquebráveis, muito menos carros desenhados e produzidos em larga escala que são ícones para novos ricos ou pessoas tão racionais e práticas como os próprios carros que dirigem.

São feitos para o puro e absoluto prazer ao dirigir. Lembro de uma antiga reportagem que citava Giorgio Armani, onde ele compara as criações dele como o carro que mais gosta o Alfa Romeo. Tanto as peças que ele assinava, como a Alfa Romeo, ele dizia são para pessoas que apreciam a exclusividade e o prazer das coisas da vida. Não me recordo exatamente à frase, mas é muito próximo disso. Ou de uma citação no Top Gear, que dizia que o homem que dirigia um Alfa, era como se ele fosse um às do volante, um antigo e experiente piloto, que cada vez que falava do carro, enchia a boca e estufava o peito para dizer ”eu dirijo um Alfa Romeo”, como se fosse uma identidade ou uma frase secreta de um clube onde poucos pisam e poucos sabem o que significa. O motivo pelo qual italianos chamam de Macchina e não de “conduzione” ou “automobili” está totalmente explícito nessa declaração.

Sou um apaixonado pelas Alfas, e posso afirmar de peito estufado que nada nem nenhum carro te dá a sensação de prazer e de liberdade que uma delas pode dar. Já tive alguns brinquedinhos diferentes comigo, e hoje estou torcendo e acendendo vela pra me desfazer de outros para voltar ao céu Rosso Alfa. Não adianta, quem é movido pela paixão e não abre mão de certos prazeres da vida, volta sempre ao ponto de origem. A primeira paixão é a que fica.

Um forte abraço.

Vinícius Henz De Boni